Por mais de cinco décadas, João Bosco tem desenhado com voz, violão e invenção uma das obras mais singulares da música brasileira. No último ano, esse percurso ganhou mais um capítulo marcante: o lançamento do álbum Boca Cheia de Frutas , aclamado pela crítica como um dos trabalhos mais importantes do ano. Agora, o universo criativo de João Bosco desabrocha nos palcos mais uma vez com um novo espetáculo que chega ao Teatro Bradesco, em São Paulo, no dia 7 de junho , e percorre o país na turnê inédita do João Bosco Quinteto . A estreia da turnê no Rio de Janeiro, dia 23, emocionou o público, que cantou de pé os sucessos do artista.
No show, João revisita clássicos de sua trajetória — canções que ajudaram a formar a memória afetiva do Brasil — e costura a elas algumas faixas do novo disco. Mas o espetáculo vai além de um simples passeio cronológico. Pensado em três blocos narrativos, o roteiro construiu uma história. Começa em solo simbólico, com “O Canto da Terra por um Fio” e outras canções de fundamento, que reafirmam a ligação visceral do artista com o Brasil profundo. Em seguida, mergulha nas homenagens literárias, abrindo com um poema de Vinicius de Moraes e celebrando as palavras de Aldir Blanc e Antônio Cícero. Por fim, oferece ao público uma sequência arrebatadora de sucessos — da elegante de “Corsário” ao lirismo pungente de “O Bêbado e o Equilibrista”, imortalizada por Elis Regina.
João Bosco comenta as inspirações, conceito e roteiro do novo espetáculo. “Um novo show é sempre um reencontro com algumas canções, incluindo as mais recentes, que de alguma maneira se destacaram em minha trajetória junto dos meus parceiros, novos e antigos, ao longo desses mais de cinquenta anos de caminhada. A linha é sempre aquela que as pessoas que acompanham o meu trabalho já se identificam, mas há sempre um novo passo. O meu violão, onde eu moro, está sempre comigo tirando os meus pés do chão. É por isso que gosto de explorar os limites das canções como se fossem permitidos. reexistir. Em meio a essa atmosfera entre canções não tão recentes e canções do álbum recente Boca Cheia de Frutas , eu procuro também reexistir, junto de um quinteto de músicos de imensa capacidade criativa, que possibilitam que essa intenção seja perfeitamente possível”, afirma o artista.
A presença de Aldir Blanc, parceiro essencial, é celebrada com emoção em “E aí?”, canção inédita escrita a partir de uma letra deixada por Aldir — que chegou a acreditar que João já havia musicado. “Vir-a-ser”, uma das faixas mais poéticas do novo álbum, dialoga com a tradição de Vinicius e se revela como uma das chaves estéticas do espetáculo, que transita com fluidez entre o popular e o erudito, o ancestral e o contemporâneo.
Ao lado de João, sobem ao palco músicos que formam um verdadeiro quilate instrumental: Ricardo Silveira (guitarra), Guto Wirtti (baixo), Kiko Freitas (bateria) e o maestro Cristóvão Bastos (teclados e arranjos). A direção musical e concepção do show são assinadas por João e Francisco Bosco , seu filho, parceiro nas composições dos últimos álbuns e na visão obras que sustentam o espetáculo.
No roteiro, canções do novo álbum como “Dinossauros da Candelária” e “Vir-a-ser” convivem organicamente com joias do repertório histórico do artista como “Bijuterias”, “O Ronco da Cuíca” e “Papel Machê”, além de homenagens a artistas que atravessam a história da música brasileira, como Milton Nascimento, apresentado em “Clube da Esquina nº 2”.
Com a mesma boca que canta as dores e fomes do país, João Bosco sonha, no palco, uma terra onde há abundância. Se o álbum “Boca cheia de frutas” é o símbolo desse Brasil sonhado, o show, que une sucessos históricos à sua safra última de composições, é o fruto maduro de um artista que, aos 78 anos, ainda planta com rigor e colhe com beleza.
O espetáculo recebeu elogios calorosos de artistas e da crítica musical:
“João Bosco & Banda: show no Vivo Rio. Há tempos não assistia uma apresentação ao vivo do mestre. E como sempre, saio de alma lavada, escovada e renovada – é um “blend” de magia, alegria e inspiração, cultura e orgulho deste Brasil. Simplesmente espetacular, imperdível”. Charles Gavin , produtor musical e ex-baterista dos Titãs.
"Um país não se funda com tratados e bombas e gritos à margem de rios e fronteiras riscadas num mapa. Um país se funda quando, impalpável mas nítido, se manifesta pelas mãos dos iluminados que dão manipular sua matéria e evidencia-la a nós. João é esses. E, sob o abrigo da casca de seu violão, um país se fundou ontem na estreia de seu novo show" . Leonardo Lichote , crítico musical.
"Roteiro impecável, equilibrado entre novidades, sequências já experimentadas, sucessos retumbantes e as canções novas; a conversa descontraída, as letras faladas com seu poder de poemas, os músicos espetaculares; você! meu Deus! o que dizer de você? nem vou tentar, bastando dizer o quanto você esteve perfeito. Vontade de dizer: perfeitamente perfeito! Tudo exuberante e ao mesmo tempo compacto, sem pontos frouxos. Atmosfera de alegria e festa. E mais, muito mais" . Eucanaã Ferraz , escritora e professora de Literatura.
CALENDÁRIO DE APRESENTAÇÕES – JOÃO BOSCO QUINTETO
23/05 – Rio de Janeiro, Vivo Rio
30/05 – Porto Alegre, Teatro Bourbon
07/06 – São Paulo, Teatro Bradesco
15/08 – Salvador, Pupileira
06/09 – Belo Horizonte, Grande Teatro Unimed Palácio das Artes
SERVIÇO
São Paulo
Data: 7 de junho de 2025
Horário: 21h
Local: Teatro Bradesco
Endereço: Rua Palestra Itália, 500 - Perdizes, São Paulo - SP
Abertura da casa: 20h
Ingressos: a partir de R$ 50
Duração: 80 minutos
Classificação: livre
Fonte: Lupa Comunicação